domingo, maio 11, 2008

" Mas ela é tri bonita, negão"

E ainda há quem duvide da minha coragem...
5 horas da manhã. No termometro algo tipo 2º ou 3º C.
A saída de hoje sem carona de volta e a deprimente situação de pegar o ônibus, meio digamos assim sonolenta, em plena madrugada. Ok, se é assim, assim que fosse. Pós caminhada, agradável diga-se de passagem com desconhecidos de um bar ao outro (*ressalva: ambos vazios), é hora de desistir, de ir para a casa... sim, a noite acabou darling!

Ok, de lá até a parada de ônibus devem dar cinco minutos, não mais que isso. Mas da parada até a vinda do ônibus o tempo é incontável. E passa gente. Estranha, loira, morena, de salto, bebado, de dupla, de preto, de mini-saia. Ai que passa gente, já o ônibus... desse nada... E o frio... e o vento... e o "oi, tá sozinha?!" de 3 em 3 minutos acentuavam minha ânsia e vontade de chegar em casa.

- "Vou a pé"... penso cá com o único botão do casaco.
-" não, melhor, não vou esperar"

tá, então espero...e em meio a toda essa esperança, mais um "oi, tá sozinha?!" eis que surge. Não respondo, eles (*sim, dois) insistem:"Esperando o ônibus, sozinha nesse frio, tadinha!!". Era bem o que eu pensava até eles chegarem, mas mesmo assim continuava a me esconder dentro do casaco, olhando para baixo. O gabriel diz:

- "fica com vergonha não, vamos ficar aqui daí tu não fica sozinha"

Mala. Não viu que eu não queria conversa? Bem, talvez eu quisesse... mas minha mãe disse para eu não falar com estranhos, ainda mais se eles fossem estranhos mesmo e caminhassem além de 5 da manhã pelas ruas da cidade. Mas não me aguentei ergui a cabeça e daí larguei o:

- "Ok, fiquem a vontade!"

Risada do Gabriel, risada do Igor. Esse segundo, quase que estantaneamente após me ver, espanta-se em um "Mas é tri bonita, negão", dirigindo -se ao primeiro, o Gabriel. Agora espanto meu, ao ouvir tal frase. - porque? deveria eu ser feia para estar esperando o ônibus na madrugada?! Mas diferente deles eu nada disse. E digamos que tal argumento me alimentou o ego, até a pouco destruido por aquela humilhante espera de ônibus
. *Os moços nem bêbados estavam, e eu mal tinha me arrumado hoje, enfim, foram os seus olhos.

Conversa vai, conversa vem - " a gente te leva em casa" , "não, eu preferiro ir de ônibus" - tudo com muita educação e gentileza de ambas as partes (*pasmem, papo agradável mesmo, eu juro).

-" Ok, fabi, então a gente vai descendo... qualquer coisa grita tá!! anota meu número aí... fica bem! um abraço!"

Que bonito, que simpatia, que alegria... e quem disse que na noite todos os gatos não são pardos mesmo?! e vá que sejam? Óbvio que minutos antes eu não estava tão segura assim. E também que eu estava com meu bico fino, salto agulha acionado no caso de maiores necessidades, mas que entretanto não foram necessárias.

Mas voltemos ao ônibus. 5h30 e nada. Ok, "desisto! Vou à pé". Pasmem novamente, SIM eu vim mesmo. 5h45 eu chegava em casa. Faceira, sã e salva. Depois de ter conhecido o Gabriel, o Igor e Rafael. No meio do trajeto, foi a vez do Rafael surgir:

- "Boa noite"
eu, nada...
- "oi moça, eu vou te acompanhar, não vou te fazer mal não, to indo embora, vou só andar do teu lado... posso neh?!"

Pode, fazer o quê?! já estava ali mesmo. Aí ele veio. Delhê papo e delhê trova. "Por que que essa gata não tem dono?", "Mas o quê que uma mulher linda como tu faz sozinha?", "Me dá teu telefone, amanhã eu não ligo porque é dia das mães, mas no sábado que vem ...", "Eu me apaixonaria por ti até se fosse altas horas da madruga e tu estivesse indo embora sozinha...", "Ei, eu até te pedia em casamento" -... mas não teve jeito, ele não levou o broto!!

Em compensação, o broto - eu no caso - chegava em casa rindo à toa, achando aquela a noite a mais divertida da semana da semana que terminou poucas horas antes. Incluindo a perda do sapato minutos atrás, a la Cinderela como diriam uns, e mais outros contos e causos. Noite boa, que me protegeu e me cuidou. Percebi que devo ter um pacto (*só pode) com o arquiteto do universo como diria o escritor J. Bicca Larré - recomendo -.

Para o teórico em psicologia Erick Karsaklian as caracteristicas ligadas a proteção de um individuo se desenvolvem a medida que esse recebe estimulos dos pais quando ainda criança. Quanto mais proteção se dá, menos medo o monstrinho desenvolve, e na sua concepção o mundo passa a protegê-lo, quando os pais o largarem de mão. Dessa forma, numa equação de estimulos-respostas o mundo passa a responder e atender as vontades desse individuo. Mais ou menos aquela coisa que chamam hoje de emissão de energias-recepção de energias correspondentes.

Em uma só frase o supra-suma da história toda: Mãe, pai - muito obrigada!!
e de lambuja agradecer a sorte e ao meu atarefado anjo da guarda...não que eu não creia nas teorias de Erick Karsaklian, mas vá que meu anjo fique com cúmes e da próxima vez eu não tenha tanta sorte...

(*pronto, desabafada e com frio - agora eu vou durmir :)


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