segunda-feira, setembro 21, 2009

"Passa um fio..."

Eu, só eu, no meu vazio
Só eu só no meu pavio 

(LENINE)






Era o que o Vô dizia...Quando a gente ia ficar um tempinho longe, ele reclamava de saudade e dizia que era para passar um fio... Definitivamente só uma ligação é capaz de aliviar ausências. Quando a gente escuta a voz, de quem não temos (ouvimos, tocamos, olhamos, sentimos) há dias, meses, anos... tudo se resume àquilo ali, àquela aproximação. O ouvir a voz, o timbre, os ruídos, os silêncios é tão sensacional, tão significativo que por si só já basta. Normalmente não se tem muito o que dizer, nem muito o que ouvir e aí ficam aquelas perguntas soltas, vagas, perdidas na ligação só para ocupar o tempo do que realmente ocupa espaço: a voz. É a necessidade de sentir aquele alguém mais perto, de encurtar as distâncias físicas mesmo que virtualmente. Deve ser por isso que o telefone foi feito para usarmos encostado ao rosto. Deve ser por isso, também, que em uma ligação de telefonia voip a gente só escuta melhor com os fones de ouvido. Por essa necessidade de ter perto, de encostar, de sentir. Depois da ligação saciar a vontade de estar perto, vem a crise do desligar. Aliás, dá uma dooor ter que desligar. São incontáveis os “tchau”, “beijo”, “então tá”, “é isso” que tentam burlar o fim da ligação. Quando não vem o joguinho do “desliga você primeiro” (que inclusive há quem ache ridículo, mas saudade é uma coisa que deixa a gente tão boba, que é totalmente irrelevante esse achar ou não achar) Uma coisa eu duvido! Duvido que quem ame, goste ou sinta saudade, desligue o telefone com desprendimento. Vai dizer, quantas vezes você não quis atravessar o telefone e ir parar lá? (afinal de contas, foi por isso que você ligou, para ir até lá lá, ou trazer para cá) Quantas vezes não foi fechando lentamente o flip do celular devagarinho na esperança de que o restinho daquela “presença” se mantivesse ali por mais um tempo? Não demorou até colocá-lo no gancho...ou no afastá-lo da orelha? Se prestar atenção, a gente até consegue escutar, quase como uma suplica: “fica aqui! não vai embora!”. Mesmo que seja em silêncio, o que queremos é ter só mais um pouquinho perto, só para aliviar a saudade, só para sentir.






Na sonífera ilha, onde descanso meus olhos e sossego minha boca e minha conta bancária, só acalmo meu coração quando o telefone toca e distraí meus ouvidos com o desmoronar das fronteiras territoriais...






Saudade de Casa
Saudade dos meus amores de Casa

Saudade do meu Vô

Saudades dos meus amigos e amores espalhados Brasil a fora... 


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please, one moment