quinta-feira, fevereiro 18, 2010

pés descalços

Desde criança eu prefiro não ter nada que intermedie a relação entre meu pé e o meu chão.
Depois de ter vindo para Florianópolis, isso se acentuou.
Talvez, causa dos ares "hippongas" bem percebido pelo comentário anônimo em textos de outrora
...
Ou ainda causa das brigas constante entre realismo e fantástico,  proximidade e distância,  entre vazio ruidoso e o caos silêncioso.
Mas é, definitivamente, a única coisa que me amarra... que me segura ali, presa ao chão sem deixar meus pés de vento avistarem novidades e avoarem ante elas.
É peso, convicção, persistência, é a certeza do que eu toco...
O mais perto que eu consigo chegar de âncoras. A segurança diante de tantas e tantas fragilidades.
Até mesmo no passo em falso, o pé que toca o chão, assim nú e crú é o primeiro a sentir o risco e avisar sobre a queda que, talvez, possa a ser evitada com seu alerta.

E eu andei tropeçando...
e andei sofrendo com os calos, chutando pedras, falseando passos, desequilibrando tanto que ando até ressabiada!
Por isso não vou calçar os sapatos... Se aguentou até agora, vou seguir assim, de pés descalços...

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