terça-feira, janeiro 20, 2009

Dos embalos

Há dias quero publicar algo e não consigo... Ou porque estava na estrada, ou pela agenda lotada...tudo destoa da escrita, distrái meus olhos, encanta minha curiosidade, e me abre novas possibilidades...
Não preciso de mais nada...
Ando assoviando a canção de tom, em especial aquele trechinho em que ele afirma crente que quer a vida sempre assim...
Ando apaixonada...
não por nada, nem por ninguém... mas por tudo, mas por todos. Me minimizo e vejo em volta de mim tudo tão grande... tão encantador.
Me espreguiço...
Dos medos que tinha, no máximo um ainda insiste. Dos outros nada sobra. Quero mais é voar bem alto, para que se um dia houver queda, ela seja livre e alta.
Afogo...
Para embalar meus dias: bossa nova; Para acomodar meu corpo: ombros, braços, abraços; Para descansar a vista: lugares; Para embebedar minha sede: salivas; Para inebriar minha alma: companhias; Para amaciar a carne: wisky.

entregue!

"E eu que era triste, descrente desse mundo..."
(tom jobim e vinicius de morais)


quinta-feira, janeiro 15, 2009



Não curto, nem um pouco, aquelas mil e uma promessas para o próximo ano, os próximos meses, os próximos dias... ta aí uma coisa que eu aprendi. Vale mais fazer à falar, então sem promessas, valem só constatações... E dessa forma, analisando o próspero doismilenove que se instalou de repente entre nós, acabo de perceber a agenda lotada que ele tem debaixo do braço.

Um curso de corte e costura, de inglês, de italiano, viagens e mais viagens, academia, investimentos e mais investimentos, encontros e mais encontros, muitas pessoas, no ano - no mês - farras gastronomicas para manter o corpicho. E quando estiver pelas tabelas ainda tem a conclusão de graduação e uma mochila pronta.

brilho no olho, nó na garganta, sede... Um suspiro resgatado, que guarda toda e qualquer esperança, espectativa, ansiedade e coloca em baixo d'água. Lá na quarta-feira de cinzas, quando tudo se acaba, eu solto todas em uma bolha de ar, de lá a cá... por enquanto, resta apenas esperar!







"Os homens ... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.E vivem como se nunca fossem morrer...E morrem como se nunca tivessem vivido "



Dalai Lama

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Sobre vogais e consoantes

São as dependências, são os esperares, são os envolver-se, os misturar-se que me preocupam. Antes crer em mim, que nos outros. Antes conhecer a mim, do que aos outros. Antes ter a mim... Hás de convir, é assim sim, deve ser assim - só - para todos, para tudo. Mas é tão contraditório quanto escrever na língua portuguesa.
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Por exemplo, nunca vi consoante não precisar de vogal, e por mais que vogal saiba viver só, ela sempre se vende aos envolvimentos promiscuos com uma ou mais consoante e outras vogais. Mas veja bem, ela não depende. Quando cansa, lança mão de ter ao lado acompanhante e vai... ser a só a, e só e, o só o...
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Já a consoante não soa só. Não tem sentido enquanto uma apenas. É tão importante, tão significante, mas sem algo ao lado, não representa nada. A menos que uma alma caridosa lhe atribua créditos e signos temporários... mas isso seriam casos particulares. Ela gosta mesmo é do amontoado. Precisa sentir-se cercada, precisa se relacionar sempre. É meio humana, meio carente, meio obsessiva/possessiva.
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A diferença entre as duas é a liberdade. A vogal a conhece, e vez enquando opta por ela. A consoante nunca experimentou, e se experimentasse, tenho certeza, não saberia o que fazer com tanto vazio a preencher. Gosto das consoantes. Mas cá entre nós a vogal é bem mais inteligente. Ela se adapta, sabe jogar...
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Outra coisa interessante: Duas consoantes se relacionam. Três com muito custo. Não é lá uma coisa que lhes agrade muito fazer. Enquanto as vogais se divertem entre duas, três...e até mesmo quatro... por que não?! (iaiá, ioiô...). Deve ser por isso que dizem que as línguas latinas são línguas "quentes" ô.O...
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Mesmo assim, independente do que façam, ambas estão sempre dispostas a interação. São receptivas umas com as outras, só o p e o b que não gostam muito do n, preferem o m... mas no mais tudo é festa. Tem consoante que inclusive se coloca a disposição para acompanhar as colegas, super solicita e assim experimentar de novas sonoridades... ch, th, ss, sc...
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As vogais... me parecem ser jovens, meio molecas, atrevidas, provocadoras e debochadas, quase libertinas. As consoantes dependentes... Sérias, receptivas, educadas, acolhedoras, amáveis... Não haveria melhor mistura do que quando elas se encontram corretamente. A consciente consoante puxa as rédias e põe juízo na avoada vogal, que se faz de difícil mas aceita numa boa, se bobear até gosta. Dali resultam palavras.
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Sobre as palavras... Penso quando elas possuem significados ruins, tem muito da molequisse e rebeldia das vogais as influênciando... As consoantes não. Essas já se esforçam para ser adequada...ao momento, à educação, às boas maneiras e o bem estar... Já disse, repito: Gosto delas. Longe de mim vir aqui desfazê-las, desdenhá-las. Tão bonitinhas. Mas todo esse regramento... e essa dependência... algo me diz que elas devem sofrer mais...

Se eu fosse letra... é... acho que seria vogal. E não que isso seja lá grandes coisas, mas que seja condição, opção, e quem sabe... até mesmo reação... Cada um age conforme lhe convém, certo? a gente opta, e assim se dão os mecanismos de defesa... Mas também não é ruim ser vogal... interações e relações sempre são bem vindas e beeeem divertidas. Mas também é bom o só... Pode ser que um dia isso mude, pode ser que já tenha mudado e hoje isso, seja o resultado daquilo lá no ontem... coisas da vida, naturalmente. Bom ou mal, agora é a condição de vogal que melhor me cabe... quem sabe um dia, eu aceito experimentar o contrário... Afinal não deixar calar, é a maior alegria da vogal...
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"Hoje eu vivo em paz sozinho,
muitos passarão,
outros tantos passarinho..."

(fernando anitelli se apropriando
dos versos do mário quintana)

please, one moment