domingo, setembro 21, 2008

Casos perdidos

E Loreta, a mãe, ininterruptamente desabafa com a psicanalista, em uma consulta de avaliação da terapia:

Está, como sempre, tudo errado. Há pilhas de texto para ler, amontoados de roupas para lavar, montes de lixos para tirar, sujeiras para limpar. Perguntou-me o que foi que ela fez com o tempo que tinha livre. Respondo sem ponderar: "fizeste dele, nada". Ela enche os olhos de lágrimas e sai. Antes de sumir por completo, meio que engolindo o choro me falou em máquina do tempo. Ri, e impiedosamente direicionei lhe um olhar de desprezo. Ela não muda.

Mas entenda, não há mais desculpas ou amedotas que suavizem as minhas angústias. Quando é que vai aprender? se eu já disse, você já disse, todos disseram. Ela entende, sei que entende. Mas não reage, não transforma. É torta, e torta vai ser até estabelecer se com mais responsabilidades. Agora, daqui escuto suas lamúrias. Perde mais tempo lamentando-se do que modificando.

Me contou ter lido em um site de previsões que suas ascendências astrais tem grande propensão à teoria, e muito pouco à prática. E nessa justificativa van ela se apoia. Vai assim até o próximo tropeço. Quando de repente parece acordar, e estar disposta a mudar tudo. Até que chegue o final do dia, me olhe com aquela cara de cão que lambeu graxa, e me pergunte o que fez do seu tempo. Já sem paciência, daqui em diante digo que a mim pouco interessa, eu vou só cuidar do meu tempo.

- Mas foi o que você fez até agora, não foi?

Claro que não. Sempre mostrei a ela como deveria ser. Sou super presente, ela vê as coisas como eu as faço, deveria ter a mim como um exemplo. Mas não, ela é o oposto de mim. Não faz nada certo. Não tem capricho, nem amor próprio!
não foi isso que eu a ensinei.

- Mas então o que é que a deixou assim?

Está querendo dizer que ela ser assim, é culpa minha? Dei tudo que ela precisava, sempre. Bem que me falaram que esses psicanalistas não servem para nada, nunca e sempre que podem culpam os pais.


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Irritada, Loreta pega a bolsa, joga em cima da mesa o valor da consulta e bate a porta do consultório. Mais uma vez a filha a fez gastar com bobagens. Mais uma vez ela tinha certeza de que tudo que dedicou à menina foi só desperdicio. Afinal, casos perdidos, são casos perdidos.

Um comentário:

Danni disse...

Hmmmm. :/

please, one moment